"O livro em causa, parte de uma entrevista realizada ao porta voz da banda Mão Morta, Adolfo Luxúria Canibal, que foi transcrita e que incidiu na sua essencialidade, num repassar da discografia deste colectivo. São focadas as influências e conexões artísticas e literárias presentes em cada álbum, bem como opiniões e pontos de vista pessoais do vocalista sobre as mais diversas questões."
 
A ideia surgiu no final de um concerto dos Mão Morta. quando o escritor e um amigo se questionaram sobre como poderiam “prestar um contributo a esta grande banda do panorama musical nacional” e rápido chegaram à conclusão que, embora houvesse vários testemunhos e artigos espalhados pela internet e por jornais antigos, estes nunca haviam sido compilados. Da necessidade de recolher um depoimento mais amplo sobre a história dos Mão Morta nasceu uma entrevista que vai desde 1978, ano em que Luxúria Canibal se mudou para Lisboa, até 2012, altura em que foi realizada.
 
A entrevista deu vida a um livro publicado agora, três anos depois, com perguntas que mais ninguém fez e respostas que só Luxúria Canibal poderia dar. As conexões artísticas e literárias presentes em cada álbum dos Mão Morta são dissecadas na primeira pessoa e muitas curiosidades são reveladas, como o facto de Luxúria, enquanto aluno universitário, ter vencido as eleições académicas contra uma lista encabeçada por Santana Lopes.
 
Na altura em que a entrevista foi feita, os Mão Morta estavam prestes a fazer 30 anos de carreira e “Pesadelo em Peluche” era o seu mais recente álbum. Entretanto passaram a marca das três décadas e lançaram “Pelo Meu Relógio São Horas de Matar”. O álbum marcou 2014 pela polémica que o videoclipe do single “Horas de Matar” suscitou nas redes sociais e nos meios de comunicação.
 
Quando questionado sobre isso, Luxúria Canibal não se esquiva: “Fizemos ‘Horas de Matar’ e não fomos capturados mas fomos encurralados. Há uns anos atrás, um disco como este não teria qualquer consequência. Já tivemos discos muito mais polémicos, mas hoje existe um medo muito grande de liberdade de expressão e das consequências que uma manifestação livre pode ter para as pessoas no poder, ignorantes por natureza. O videoclipe de ‘Horas de Matar’ é muito punk e primário. Tem armas, mas isso não deveria chocar as pessoas que, todos os dias, ao almoço e ao jantar, são confrontadas com tiros, corpos e mortes reais”.
  • Joana Cardoso 26/08/2015

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